O Ilhéus das Cabras que enriquecem a maravilhosa paisagem da Baía Ana de Chaves em São Tomé e Príncipe minha Terra Amada.
MINHA
TERRA SÃO TOMÉ
Ai
minha mãe, São Tomé,de teu ventre
Generoso,
me deste, minha vida
E
eu, ingrato, p'ra longe parti.
Hoje
longe de ti, vivo assim, dentre
Saudades,
duma terra tão querida
E
a vontade de voltar p'ra ti.
Quando
ao fim do dia o Sol se aninha
Escondido
por traz do horizonte
Fujo
com ele até minha terra,
Na
calma da noite que se avizinha
Numa
longa e imaginária ponte
Onde
toda a minha ansiedade erra
Em
procuras àvidas e constantes,
Como
que buscando o intangível
Que
ficarão sempre no meu passado.
Deixo
lá ficar tudo como dantes
E
guardo em meu estojo, meu cinzel
Pois
nada poderá ser alterado.
Mas
não resisto e só lhe pergunto
Se
ela me deixa no seu belo rosto
Tocar,
levemente, como um menino.
A
mêdo, perto dela ,muito junto
Do
rosto, tão bonito, que dá gosto
Tudo,
naquele momento, imagino.
E
pergunto-lhe se ela ainda traz
Espalhado
no seu corpo sereno
O
gosto de mangas doces, maduras
O
cheiro do maduro ananaz
Que
eu, desejo, poderoso veneno,
Sorver,
entre tantas outras doçuras.
Depois
pergunto-lhe s' ela ainda tem
O
cheiro do grão de café torrado
Que
se estende por todo obô (1) fora
E
que tão cedinho de manhã vem
E
se queda junto a mim, ao meu lado
Mas
que, mui depressa, se vai embora.
Curioso
pergunto: inda trazes
Nessas
tuas mãos o visco da jaca?
Ainda
sabes fazer armadilhas?
Vem,
vem comigo e vê s'inda tu fazes
Uma,
com quaquer pequenina estaca.
Mostra-me
essas tuas maravilhas.
Faz
uma p'ra apanhar um ossóbó(2)
Ou
uma rôla brava, mui astuta.
A
ver s'inda sei, vou fazer uma,
Ali
perto daquele micondó(3)
Onde
ela s'aninha na cocuruta,
Antes
que ela se espante e se suma.
É
neste recordar de pequenino
Que
eu hoje, homem maduro, já feito
Volto
às minhas raízes e procuro
Nunca
deixar de ser um bom menino,
Ter
bons amigos e com muito jeito
Tê-los
sempre ao pé de mim, no futuro.
Edgar
Faustino
- Março 2011...
(1) - Mato cerrado
(2)
- Uma subespécie endemica de ave pequena. O nome provém, talves da
palavra portuguesa " assobio" e de " obó ".
(3) - Embondeiro

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