Aquele mês de Abril, em Luanda apresentou-se húmido e com alguma precipitação fora do normal, como diziam os entendidos em meteorologia. Em Nova Lisboa onde morava, o clima era mais agradável embora também chovesse, fazia muito mais frio.
A minha deslocação à linda capital angolana, Luanda, a cidade maravilhosa, foi devida ao facto de minha ex-mulher, tendo finalizado o curso de Ajudante Técnica de Farmácia, e como primeira classificada, tinha direito a escolher o local onde queria ser colocada, conforme estipulava o Estatuto do Funcionalismo Ultramarino - EFU, o que não aconteceu, tendo sido isso sim, colocada em Pereira d'Eça, cidade capital do Cunene, a quase 900 Km da nossa residência.
A minha ida a Luanda prendeu-se com o facto de ir pedir ao Inspector de Saúde que revisse o processo de colocação da minha ex, e pedir-lhe que, ao menos, a colocasse num local, onde estivesse já em implantado o serviço onde eu trabalhava, o Serviço de Emprego de Angola, um serviço novo em fase de instalação naquele imenso território.
Como não tive qualquer sucesso com o meu pedido junto daquela instância aconselharam-me a recorrer ao Secretário Provincial da Saúde, o que fiz de imediato, pois o secretário, estivera no meu casamento.
Convencido e confiante, fiz em jeito de desabafo um comentário que se prendeu, com o facto de, sendo o Estado Português um estado católico, e eu ter um casamento católico também, era o Estado que nos estava a separar.
Claro fiquei logo com residência fixa em Luanda e obrigado a apresentar-me nas instalações da PIDE, até acabarem as investigações que me levantaram.
Tudo isso aconteceu oito dias antes do 25 de Abril. Tive sorte.