quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A capital de São Tomé na década de 50.
Após o ano de 1953 a cidade foi crescendo e transformando-se numa linda cidade.


O Ilhéus das Cabras que enriquecem a maravilhosa paisagem da Baía Ana de Chaves em São Tomé e Príncipe minha Terra Amada.


MINHA TERRA SÃO TOMÉ
Ai minha mãe, São Tomé,de teu ventre
Generoso, me deste, minha vida
E eu, ingrato, p'ra longe parti.
Hoje longe de ti, vivo assim, dentre
Saudades, duma terra tão querida
E a vontade de voltar p'ra ti.
Quando ao fim do dia o Sol se aninha
Escondido por traz do horizonte
Fujo com ele até minha terra,
Na calma da noite que se avizinha
Numa longa e imaginária ponte
Onde toda a minha ansiedade erra

Em procuras àvidas e constantes,
Como que buscando o intangível
Que ficarão sempre no meu passado.
Deixo lá ficar tudo como dantes
E guardo em meu estojo, meu cinzel
Pois nada poderá ser alterado.

Mas não resisto e só lhe pergunto
Se ela me deixa no seu belo rosto
Tocar, levemente, como um menino.
A mêdo, perto dela ,muito junto
Do rosto, tão bonito, que dá gosto
Tudo, naquele momento, imagino.

E pergunto-lhe se ela ainda traz
Espalhado no seu corpo sereno
O gosto de mangas doces, maduras
O cheiro do maduro ananaz
Que eu, desejo, poderoso veneno,
Sorver, entre tantas outras doçuras.
Depois pergunto-lhe s' ela ainda tem
O cheiro do grão de café torrado
Que se estende por todo obô (1) fora
E que tão cedinho de manhã vem
E se queda junto a mim, ao meu lado
Mas que, mui depressa, se vai embora.

Curioso pergunto: inda trazes
Nessas tuas mãos o visco da jaca?
Ainda sabes fazer armadilhas?
Vem, vem comigo e vê s'inda tu fazes
Uma, com quaquer pequenina estaca.
Mostra-me essas tuas maravilhas.

Faz uma p'ra apanhar um ossóbó(2)
Ou uma rôla brava, mui astuta.
A ver s'inda sei, vou fazer uma,
Ali perto daquele micondó(3)
Onde ela s'aninha na cocuruta,
Antes que ela se espante e se suma.

É neste recordar de pequenino
Que eu hoje, homem maduro, já feito
Volto às minhas raízes e procuro
Nunca deixar de ser um bom menino,
Ter bons amigos e com muito jeito
Tê-los sempre ao pé de mim, no futuro.

Edgar Faustino - Março 2011...
(1) - Mato cerrado
(2) - Uma subespécie endemica de ave pequena. O nome provém, talves da palavra portuguesa " assobio" e de " obó ".
(3) - Embondeiro
A propósito de Mário Soares dizer que:


" Mário Soares diz que os políticos são como o vinho e neste momento não prestam "

O Sr. Dr. Mario Soares como político é uma nódoa.
Deveria estar sentado no banco dos réus do Tribunal Internacional pelo que fez na descolonização, pelas pessoas que abandonou à sua sorte condenando-as à morte naquele território. Como politico no que aconteceu após o 25 de Abril e em todos os outros governos que liderou foi uma autentica nódoa daqueles corrosivas que corroem tudo o que existe à sua volta, veja-se em que deu este Portugal a partir daí.
As nódoas que foram aparecendo alastraram-se, enegreceram e corroeram este País.
Que moral tem este decrépito senil para vir dizer o que quer que seja dos políticos se são eles todos comensais da mesma pocilga ?
A RESTAURAÇÃO


Onde estão os Portugueses, que realizaram a maior Epopeia da Humanidade, que se lançaram pelo desconhecido em cascas de noz, que enfrentaram o Adamastor, que espalharam a Fé, que deram tantos contributos para o desenvolvimento da agricultura, comércio e industria náutica, da Astronomia ...?
Onde estão os Portugueses,  Valoroso Povo, Audaz e Destemido que, " contra os canhões  marchar marchar " demonstrou saber impor-se àqueles que lhes quiseram outrora dominar?
Onde estão os Portugueses, que  disseram basta à dominação soberana de Espanha e restauraram a monarquia Portuguesa?
Será que tantos séculos depois esse Nobre Povo desapareceu, perdeu a coragem, a tenacidade e a bravura, que desde Viriato a Sacadura, sempre demonstrou?
Porque razão,  hoje perante outras forças dominantes, uma  esquerda e uma direita, totalmente divididas e de costas voltadas, e tendo um poder fortíssimo, que o direito ao voto, conquistado a 25 de Abril, lhe dá, esse Povo não conseguiu, claramente, advertir, os representantes dessas forças, que devem arrepiar caminho, editar novas politicas, de forma a evoluir o País, fortalecer a economia, desenvolver a sociedade, criar riqueza e bem-estar social?
Esta reflexão, 372 anos depois da Restauração, entristece-me, porque os meus descendentes, meus filhos, vivem no presente, a actual instabilidade económico-social, e eles mais os meus netos, já vislumbram um futuro com incertezas e dificuldades, que serão inultrapassáveis.
Revolta-me,  a arrogância com que certos responsáveis, com salários mensais de dezenas de milhar de euros, vêm, nos tempos de antena que os media lhes cedem, falar com descaramento em aumentos disto e daquilo, nomeadamente de impostos, sobre os rendimentos miseráveis daqueles que mais contribuem para que, esses presidentes de administração de empresas, gestores, governadores de bancos, deputados, aufiram aqueles rendimentos, passando fome alguns e  vivendo com verdadeiras artes mágicas para que o seu salário chegue para pagar a alimentação e  a escola dos filhos e renda da habitação e as demais despesas, outros.
Revolta-me a ganância daqueles, que tendo tudo, vêm cada vez mais, corrompendo, traficando influências, falsificando documentação, enriquecendo de forma tão permitida pelo sistema político.
Temo a injustiça da justiça, que maniatada e manipulada pelo poder governante deixa impune os verdadeiros responsáveis pelo desemprego, pelo desaire da saúde da educação e pelas  catástrofes que se têm  vindo a verificar nos diversos sectores económicos.
Será que depois da Restauração da soberania em 1640, da implantação da República em 1910, do 25 de Abril de 1974, os Heróis do Mar, Nobre Povo, não conseguirão restaurar uma nova ordem, um novo sistema, que traga mais felicidade e bem-estar para todos?

O PRESENTE CONTINUA AUSENTE E LONGE QUARENTA ANOS
Quando a nossa vida, sucede-se, no dia a dia, num quase, ondular perfeito e dormente, sem sobressaltos e com raríssimas emoções, os dias tornam-se  monótonos, sem qualquer vontade, de sairmos, conhecer pessoas, partilhar ideias, discutir pontos de vista, ir beber um copo, ela torna-se rotineira ,e mesmo que ao nosso lado estejam pessoas, nós sentimo-nos sozinhos. O passado, retido na nossa mente, é o companheiro que nessas ocasiões partilha connosco momentos, fragmentos de felicidade ou de tristeza que por vezes fazem-nos um esgar, que não sabemos se sorrimos ou se choramos, porque neles estão guardados todos acontecimentos que de uma forma ou de outra nós partilhamos com alguém e que nos marcaram. Momentos efémores de apontamentos, que no presente, ainda trazem rèsteas de emoções que não passam de forma indelével e ainda têm o sabor de outrora, porque na sua essência, só lhes falta a presença daqueles que os protagonizaram.
Contudo, quando de repente, o presente nos retransporta para um passado de 40 anos e nos traz as pessoas, com quem nós partilhamos, tantos momentos de felicidade, de prazer, de tristeza, de abandono, de palavras que não se disseram e que se não podem dizer agora, quando o passado nos faz ficar mais perdidos ainda, num turbilhão de emoções sem a possibilidade de partilharmos com as pessoas todos momentos que o tempo nos impediu de o fazer, quando o passado apesar de presente, continua ausente e longe 40 anos, como que a castigar-nos, por naquela altura não termos feito o que queremos fazer agora, nós, apesar de tudo, ficamos muito felizes.
A nossa vida passada que, a vida do tempo marcou, agora, já só nos permite reviver com saudade as recordações que nos deixaram doces de boca, porque como as coisas, essas recordações têm os seus comos, quês e porquês, e há que ter todo o cuidado, porque poderemos desencadear imparáveis e desmedidas emoções que poderão vir a tornar-se mais tarde, em recordações, com amargos de boca.
Rever as pessoas que comigo partilharam o passado, será uma dádiva.
Voltar a poder abraça-las, dizer-lhes que os sentimentos continuam intocados, puros como naquela altura, voltar a ouvir a melodia das suas vozes, voltar a ver o brilho dos olhos e repartir toda a excitação que o olhar mostra, será a maior recompensa, que o tempo me dará.
Este desassossego, um dia, acabará, e o sossego dos dias voltará, sereno.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Neste cais...


Deste cais...



Partiu a minha barca cheia de sonhos

Livre mas sem qualquer liberdade.

Partiu para longe.

Foi para lugares mais risonhos

Abanando com tanta fragilidade.

Aos poucos, vagueando lentamente

Para lá do meu horizonte, ultrapassou.

Por ela, esperei ali, ansiosamente.

Por lá perdeu-se.

Porque nunca mais voltou.


Edgar Faustino








sexta-feira, 27 de abril de 2012

A minha História do 25 de Abril.

Aquele mês de Abril, em Luanda apresentou-se húmido e com alguma precipitação fora do normal, como diziam os entendidos em meteorologia. Em Nova Lisboa onde morava, o clima era mais agradável embora também chovesse, fazia muito mais frio.
A minha deslocação à linda capital angolana, Luanda, a cidade maravilhosa, foi devida ao facto de minha ex-mulher, tendo finalizado o curso de Ajudante Técnica de Farmácia, e como primeira classificada, tinha  direito a escolher o local onde queria ser colocada, conforme estipulava o Estatuto do Funcionalismo Ultramarino - EFU, o que não aconteceu, tendo sido isso sim, colocada em Pereira d'Eça, cidade capital do Cunene, a quase 900 Km da nossa residência.
A minha ida a Luanda prendeu-se com o facto de ir pedir ao Inspector de Saúde que revisse o processo de colocação da minha ex, e pedir-lhe que, ao menos, a colocasse num local, onde estivesse já em implantado o serviço onde eu trabalhava, o Serviço de Emprego de Angola, um serviço novo em fase de instalação naquele imenso território.
Como não tive qualquer sucesso com o meu pedido junto daquela instância aconselharam-me a recorrer ao Secretário Provincial da Saúde, o que fiz de imediato, pois o secretário, estivera no meu casamento. 
Convencido e confiante, fiz em jeito de desabafo um comentário que se prendeu, com o facto de, sendo o Estado Português um estado católico, e eu ter um casamento católico também, era o Estado que nos estava a separar.
Claro fiquei logo com residência fixa em Luanda e obrigado a apresentar-me nas instalações da PIDE, até acabarem as investigações que me levantaram.
Tudo isso aconteceu oito dias antes do 25 de Abril. Tive sorte.










segunda-feira, 23 de abril de 2012

Paraíso Verde

Paraíso Verde é uma homenagem à terra onde nasci, onde vivi, aprendi e apreendi, até ser homem, valores que ainda hoje me servem de referência e me orientam em todas situações da minha vida, valores como honestidade, frontalidade, solidariedade, entre outros, característica dos que vivem, sem fuga, à insularidade.
Essa terra, um pequeno arquipélago, situado no Golfo da Guiné, é SÃO TOMÉ e PRÍNCIPE.
Paraíso Verde, porque a cumplicidade formada pela cor turquesa do mar, pelo verde exuberante da flora e pela alegria contagiante das pessoas espalha-se em plena harmonia pelo espaço diminuto das ilhas, deixando, quem lá vive, ou quem lá vai de férias uma sensação de paz inegualável e aos que já lá não vão, há 31 anos, como eu, uma dolorosa saudade.
Saudades do cheiro da clorofila, da gostosa gastronomia, do calor sufocante e do abraço forte dos amigos que já não se veem há muitos anos !

domingo, 22 de abril de 2012

Liberdade

LIBERDADE

Liberdade é saber ser e escolher um atalho
E por ele saber ir.

Liberdade é saber ser soberano
E ser livre de escolher.

Liberdade é ter direito, a pão, vinho, trabalho
E ter uma porta, sempre aberta.

Liberdade é saber ser duro e forte contra o tirano!
Liberdade é saber escolher quem nos governa!

Liberdade é derrubar muros de pedra e cal
Que nos impedem o caminho.

Liberdade é saber tocar a reunir toda gente
Para em frente se poder seguir .

Liberdade é saber dizer ao desgoverno que está mal.
Liberdade é estar pronto para a batalha.
Liberdade é estar pronto para correr com toda essa escumalha.!

Edgar Faustino – Abril 2012...