Onde estão os Portugueses, que realizaram a maior Epopeia da Humanidade, que se lançaram pelo desconhecido em cascas de noz, que enfrentaram o Adamastor, que espalharam a Fé, que deram tantos contributos para o desenvolvimento da agricultura, comércio e industria náutica, da Astronomia ...?
Onde estão os Portugueses, Valoroso Povo, Audaz e Destemido que, " contra os canhões marchar marchar " demonstrou saber impor-se àqueles que lhes quiseram outrora dominar?
Onde estão os Portugueses, que disseram basta à dominação soberana de Espanha e restauraram a monarquia Portuguesa?
Será que tantos séculos depois esse Nobre Povo desapareceu, perdeu a coragem, a tenacidade e a bravura, que desde Viriato a Sacadura, sempre demonstrou?
Porque razão, hoje perante outras forças dominantes, uma esquerda e uma direita, totalmente divididas e de costas voltadas, e tendo um poder fortíssimo, que o direito ao voto, conquistado a 25 de Abril, lhe dá, esse Povo não conseguiu, claramente, advertir, os representantes dessas forças, que devem arrepiar caminho, editar novas politicas, de forma a evoluir o País, fortalecer a economia, desenvolver a sociedade, criar riqueza e bem-estar social?
Esta reflexão, 372 anos depois da Restauração, entristece-me, porque os meus descendentes, meus filhos, vivem no presente, a actual instabilidade económico-social, e eles mais os meus netos, já vislumbram um futuro com incertezas e dificuldades, que serão inultrapassáveis.
Revolta-me, a arrogância com que certos responsáveis, com salários mensais de dezenas de milhar de euros, vêm, nos tempos de antena que os media lhes cedem, falar com descaramento em aumentos disto e daquilo, nomeadamente de impostos, sobre os rendimentos miseráveis daqueles que mais contribuem para que, esses presidentes de administração de empresas, gestores, governadores de bancos, deputados, aufiram aqueles rendimentos, passando fome alguns e vivendo com verdadeiras artes mágicas para que o seu salário chegue para pagar a alimentação e a escola dos filhos e renda da habitação e as demais despesas, outros.
Revolta-me a ganância daqueles, que tendo tudo, vêm cada vez mais, corrompendo, traficando influências, falsificando documentação, enriquecendo de forma tão permitida pelo sistema político.
Temo a injustiça da justiça, que maniatada e manipulada pelo poder governante deixa impune os verdadeiros responsáveis pelo desemprego, pelo desaire da saúde da educação e pelas catástrofes que se têm vindo a verificar nos diversos sectores económicos.
Será que depois da Restauração da soberania em 1640, da implantação da República em 1910, do 25 de Abril de 1974, os Heróis do Mar, Nobre Povo, não conseguirão restaurar uma nova ordem, um novo sistema, que traga mais felicidade e bem-estar para todos?
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